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AS FASES DO TRATAMENTO ONCOLÓGICO E AS EMOÇÕES

AS FASES DO TRATAMENTO ONCOLÓGICO E AS EMOÇÕES

AS FASES DO TRATAMENTO ONCOLÓGICO E AS EMOÇÕES

 

Após a escolha do tipo de tratamento que será feito,(paciente e médico responsável),

inicia-se um período de incertezas, dúvidas e preocupações. Este período vai requerer comprometimento e dedicação por parte de ambos(paciente e médico) e da família. Os tratamentos oncológicos podem ser mais ou menos agressivos deixando marcas físicas e psicológicas.

É natural que ao longo do tratamento, o paciente passe por vários estados de espírito. Fases de coragem e vontade de continuar, fases em que quer desistir e não se acha capaz de aguentar mais. Determinação e cansaço podem se alternar.

É muito importante que a família esteja dando apoio, em todo o tratamento. Devido ao tempo e a complexidade emocional nesta fase, torna-se fundamental que esta família, também receba apoio das pessoas envolvidas, do próprio paciente e acompanhamento terapêutico, para que possa administrar as suas emoções, ficando mais disponível para o momento.

Muitas vezes, os familiares e amigos mais próximos têm tendência a pensar que quem  passa pela fase mais pesada é o paciente e que, como familiar, têm obrigação de suportar. Mas isso não é verdade, familiares que não se apoiam e que tentam suportar toda esta fase sozinhos poderão, com o tempo, ter necessidade de se afastar por chegarem ao ponto de exaustão. E até mesmo adoecer.

É verdade que neste tempo de tratamento, ocorrerão mudanças nas rotinas, nas regras na redistribuição dos papéis familiares, representará também, um acréscimo de responsabilidades e será, inevitavelmente, um maior encargo financeiro.

Quanto melhor estiverem emocionalmente os envolvidos, melhor será a ajuda ao paciente. A família é a base, mas também as bases têm de ser sustentadas.

Segundo Rodrigues (1999), a forma de sentir o tratamento, é influenciada por diversos fatores, dos quais se destacam: a idade do doente; o sexo; a sua personalidade; os seus valores, crenças e atitudes; o tipo, localização e extensão da doença; as sequelas da doença e dos tratamentos, o estilo de vida do doente; a sua interação social; o ambiente familiar e a posição que o doente ocupa na família; o seu modo de reagir face aos problemas; a sua capacidade de verbalizar o que sente e as experiências anteriores, vividas com pessoas que morreram de câncer.
Kubler – Ross (1998), concluiu nos estudos que realizou, que todos os doentes perante a aproximação da morte, apresentam uma trajetória semelhante, ao passarem por cinco estágios psicológicos diferentes:

Recusa ou Negação – é um estádio de choque, em que o doente recusa reconhecer e aceitar a sua situação, o que pode levar ao isolamento. A negação pode ser um valioso mecanismo de defesa para o doente, devendo ser entendido e respeitado. Se o doente persistir indefinidamente nesta fase, o que constitui uma atitude pouca adaptativa, pode requerer cuidados especiais.

Raiva: é um estágio de revolta, que se verifica quando o doente ultrapassa a fase de negação e começa a enfrentar a possibilidade de morte, interrogando-se: “Por que eu?”. Nesta fase, o doente pode tornar-se difícil, intolerante e agressivo, fazendo recair a sua raiva sobre os que o rodeiam, projetando-a contra a equipe de saúde, contra os familiares e contra Deus. Para que este período seja ultrapassado, o doente deve exteriorizar a sua raiva e as suas frustrações.

Negociação: neste estágio o doente tenta estabelecer um pacto, negociar uma transação com Deus, com os que o rodeiam ou com a equipe de saúde. Tenta conseguir uma solução para sua vida, diminuição da dor ou cuidados especiais. É uma fase que geralmente dura pouco tempo e em que o doente aparenta serenidade, pensando na forma de negociar a sua situação em troca de alguma coisa.

Tristeza ou Depressão: neste estágio o doente apresenta tristeza, mágoa e angústia. Gradualmente ele toma consciência da sua situação e é incapaz de negar sua doença. De início a depressão é reativa. O doente verbaliza as suas manifestações e fala das suas perdas passadas. Posteriormente, pode seguir-se um período de silêncio, em que o doente se torna mais calmo e a comunicação é, sobretudo, não verbal. Por vezes, ele não deseja mais do que uma presença ou o toque de uma mão. O doente chora as perdas futuras, começando a desprender-se de tudo e de todos (ROSADO,1993). A depressão é um estágio de duração muito variável, podendo ser moderada e transitória, ou perdurar por um longo período de tempo e algumas vezes, não ser mesmo ultrapassável. Por vezes pode ser necessário apoio psiquiátrico.

Aceitação: neste estágio o doente passa a aceitar a sua situação. É um período de calma e paz, em que o doente não está nem deprimido nem irritado, desejando ficar mais tempo sozinho e não se preocupa mais, com os problemas do mundo externo em geral. Nesta fase, ele relembra o passado e contempla o futuro desconhecido.

Se o doente desejar, a ajuda religiosa nestas fases é muito importante. Quando se trata de seres humanos, nenhum comportamento é totalmente previsível, qualquer previsão pode variar; estas fases, a intensidade e o tempo delas, também podem apresentar variações de pessoa para pessoa. Muitas vezes as pessoas nem pronunciam a palavra câncer, com medo que “traga azar”. Não só a palavra, mas também a doença possui um estigma de morte. Ao nos depararmos com o diagnóstico de câncer de algum familiar, amigo e até mesmo conosco, não nos damos conta dos percentuais de melhora e cura que atualmente são possíveis. Isso é claro quando o câncer é diagnosticado precocemente ou em fases iniciais, quando a pessoa aceita e realiza adequadamente o tratamento, quando recebe apoio da sua família, quando luta e não perde a esperança de viver.

“Nas palavras de Nietzsche, ‘Aquele que tem um porquê de viver pode lidar com quase qualquer provação que se lhe’” (FRANKl, 2005).

(Pode lidar com quase qualquer como).

Ás vezes é difícil compreender a vida e seus acontecimentos. Não existem padrões, as regras mudam, tudo é muito dinâmico. Diante disso, o otimismo e a coragem ajudam. A única regra é que tudo muda na nossa vida, não existe nada eterno, tudo passa. Temos altos e baixos. Porém existe nosso livre arbítrio na maneira de encarar o nosso sofrimento e a doença. Podemos encarar a agonia como pobres coitados, sofredores e merecedores de pena, ou como pessoas honradas que mostram a outros doentes, na mesma situação e aos que estão à sua volta, como lutar, resistir e vencer, independente do resultado. A escolha, a decisão de como encarar é sua. Nem Deus tira este poder de você.

Atenção, nosso próximo tema será “A família e o paciente oncológico”, onde estaremos juntos aqui. Até lá e um forte abraço!

 

 

 

Giselle Martins – psicóloga CRP/PR 15939

Experiência em empresas na Qualidade de Vida; No social com comunidades de vulnerabilidade e risco em órgãos públicos; Na saúde com psico-oncologia. Palestrante, atuação clínica com abordagem em Psicologia Transpessoal e oriental.